A série de artigos “Avanços no Desenvolvimento Infantil: da Ciência a Programas em Larga Escala” foi lançada no Brasil hoje (9), no escritório Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Brasília.
Os estudos trazem novas evidências científicas que fundamentam intervenções e propostas para a implementação de políticas em larga escala para o desenvolvimento social e de crianças na primeira infância. Baseada nas conclusões e recomendações das séries anteriores, publicadas em 2007 e 2011, a publicação destaca a importância do cuidado integral e integrado durante os três primeiros anos de vida.
A série, em inglês, está disponível na página do The Lancet na internet e mostra que o cérebro infantil se desenvolve com maior rapidez nos primeiros 2 a 3 anos de vida, período crítico de adaptabilidade e de capacidade de resposta às intervenções.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apoiaram a série, que enfatiza o “cuidado carinhoso e sensível às necessidades das crianças”, especialmente daquelas com menos de três anos de idade, e as intervenções multissetoriais, que começam com a saúde, que podem chegar a muitas famílias e às crianças pequenas através da saúde e nutrição.
O representante adjunto da OPAS/OMS no Brasil, Luis Felipe Codina, disse que os estudos, nessa perspectiva da ciência, da teoria e práticas colocadas em espaço menor, trazem experiências locais que deram certo e que de alguma forma pudessem ser colocadas de forma nacional e internacional, com mais gente no processo. Ele cita ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil, tem mecanismos potentes que podem ser implementados.
“São cinco elementos que, vendo a sério do The Lancet que coloca o local para o nacional, da ciência em larga escala, acho que o SUS e o Brasil tem potencialidade para desenvolver esse tipo de proposta, com o conjunto da sociedade”, disse Codina. Ele cita a visita domiciliar e ela conjugada com a atenção básica como importantes instrumentos para o desenvolvimento infantil, a articulação entre as instituições, capazes de desenvolver uma proposta tão ampla, a manutenção das pesquisas e da academia para fortalecer a implementação das políticas e a incorporação de elementos tecnológicos inovadores para facilitar o atendimento e monitoramento.
A série revela que as intervenções para o desenvolvimento na primeira infância que promovem uma atenção sensível às necessidades das crianças – saúde, nutrição, cuidados, segurança e aprendizagem precoce – poderiam custar apenas 50 centavos de dólar por criança ao ano, caso fossem combinadas aos serviços já existentes, como o de saúde.
O lançamento de hoje foi feito em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. No Brasil, o Programa Criança Feliz, comandado pelo ministério, propõe promover o desenvolvimento integral na primeira infância de beneficiários do Bolsa Família.
O ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, afirmou que as pesquisas são importantes para desenvolver políticas públicas no Brasil. “O resultado desse conjunto de pesquisas, reforçando nossos conhecimentos, é base científica para execução de políticas públicas de grande escala”, disse.
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